sexta-feira, 28 de maio de 2021

DOIS ABSURDOS QUE DESAFIAM NOSSAS AUTORIDADES, MAS PERSEVERAM COM VIGOR

Dei-me ao luxo de acompanhar a sessão da Câmara de Itararé em transmissão via internet, para ver se o nível dos nossos vereadores havia evoluído, se comparado as Câmaras anteriores, na noite de segunda feira, dia 24 de maio. Qual o quê? Só senti um quadro frouxo de acomodação de um poder que ainda não percebeu sua própria força. Se de um lado os calouros se transformam em papagaios que dizem muito e se aproveita nada, os veteranos estão pior ainda, extravasando publicamente a subserviência ao prefeito local. Dois destaques merecem comentário: O vereador Yago reclama das multas que vem sendo aplicadas nos motoristas pela empresa que detém a concessão da ZONA AZUL em grande parte por desserviço na venda de créditos de estacionamento centrado no aplicativo da internet e pede a volta das agentes e de um sistema de cartão.
Yago admite que a empresa não vem cumprindo o que prometeu por ocasião da concessão e viola itens do contrato inicial, mas admite que tanto o Legislativo quanto o Executivo estão em plena incapacidade de romper o contrato que ainda dá a garantia dessa exploração por outros longos anos. Que contrato seria este e que Jurídico temos em nossos poderes para ficarmos reféns das irregularidades??? Outro destaque se prende ao relato do vereador Selmo Floriano que alega os procedimentos suicidas adotados pela Saúde Pública no que refere ao combate do Corona Vírus em nossa cidade. O procedimento se dá na forma de manter juntos num mesmo local, contaminados e suspeitos em longas esperas para atendimento, permitindo a contaminação em massa. Ainda revela que o paciente declarado contaminado é liberado do hospital até sua casa num translado “a pé” visitando supermercados, farmácias e comércio em geral sem nenhuma restrição. Sugere uma ambulância especial para o transporte dos mesmos e ainda que haja um trabalho de avaliação prévia em domicílios dos suspeitos evitando a presença destes em locais públicos, desde que a família acione um telefone de socorro. Aja um atendimento mais rápido nesses casos e uma distribuição de remédios para os mais carentes que mesmo sabendo da contaminação não possuem recursos para compra dos medicamentos. A cidade fica infestada de pessoas com quadro positivo que negam a realidade com medo de preconceito ou demissão de seus empregos e vão formando um cinturão de propagação do vírus. Os dois assuntos que realçamos nesta matéria são bons exemplos que nos conduzem a entender que temos que sair desse clima de discurso e entrar num estado de imediata ação.
Talvez uma pulseira nos infectados igual a adotada nas festas da cidade para acesso aos camarotes inibiriam os abusos com os quais estamos convivendo. E na Zona Azul, ou troca a entidade exploradora ou faz valer o contrato na sua integra inicial. Ou 8 ou 80!

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Geraldo Bonadio comemta livro do autor Hélio Porto

O São Paulo que São Paulo esqueceu Recebi através do nosso comum amigo Orailson Pereira Tortelli, um conjunto de obras do pesquisador, memorialista e escritor Hélio Porto, enfocando diferentes aspectos da História de Itararé, cidade em que vive desde criança. Um desses livros – O novo Estado de São Paulo do Sul – celebra os trinta anos, completados em 2020, do movimento que se bate pela divisão territorial do Estado de São Paulo, com a criação, em seu extremo sudoeste, do Estado de São Paulo do Sul, englobando 54 dos atuais municípios paulistas, inclusive cidades do porte de Itararé, Itapeva e Itapetininga. O Estado resultante, segundo os cálculos do autor, teria 37,5 quilômetros quadrados e uma população estimada em pouco mais de 1,1 milhão de habitantes, um fantástico patrimônio ambiental, mas dependeria de recursos da União para viabilizar-se. Isso, entretanto, não seria um obstáculo intransponível, pois ganharia uma moeda de barganha: o poder político. Vejamos o ocorrido com a região Centro Oeste que, por muito tempo, pouco pesou na balança política. Aí vieram a divisão de Mato Grosso; a criação do Estado de Tocantins, desmembrado de Goiás, e a instituição da representação política de Brasília. A soma desses fatores multiplicou o poder do Centro Oeste no Congresso Nacional. Nos termos da Constituição de 1988, São Paulo do Sul teria uma Assembleia Legislativa Estadual e, no plano federal, a uma bancada de três senadores e oito parlamentares à Câmara dos Deputados, mais um governador, o que lhe permitiria negociar o repasse de recursos da União e gerar a infraestrutura capaz de elevar aqueles municípios a um patamar de desenvolvimento de que hoje não desfrutam. É uma questão que, por todas as razões, deve ser mais profundamente analisada pelo governo de São Paulo e, de modo muito especial, pelas lideranças da Região Metropolitana de Sorocaba que, à falta do que seria o seu coração econômico – a agência de fomento até agora não implantada – existe no papel, mas não na realidade.
GERALDO BONADIO É ESCRITOR, HISTORIADOR E PRESIDENTE DA ACADEMIA DE LETRAS DE SOROCABA-SP

domingo, 23 de maio de 2021

A TRISTE INUTILIDADE DO TELEFONE FIXO

A OPINIÃO DE HÉLIO PORTO
Os telefones fixos já tiveram seus anos de glória. Já foram motivo de status e foram considerados bens patrimoniais sujeitos até a declaração no Imposto de Renda. Uma linha telefônica era produto comercial de grande valia e uma forte referência para seu proprietário, pois o integrava as listas telefônicas oficiais com seu nome e endereço. E o mais importante: Eram nossa única opção de comunicação. Porém o advento do Celular acabou de vez com a telefonia fixa. O Celular popularizou a telefonia e vulgarizou o sistema de comunicação. Porém perdeu a referência, ninguém até hoje, viu uma Lista telefônica de Celular, pois a propriedade de um aparelho desses é por tempo relâmpago e a mudança de seus números se faz com incrível rapidez. Sabem o número dos celulares apenas as pessoas íntimas dos seus proprietários. Eu por exemplo, aderi ao Celular, mas não consigo eliminar meu telefone fixo, talvez por motivo de uma paixão inexplicada. Assim, passei a ser mais uma vítima da Síndrome maldita do telefone fixo, onde eu pago mensalmente uma taxa para atuar como cliente permanente do famigerado sistema Call Center. Desta sorte, o dia inteiro sou abordado por televendas, help desk, SAC, suporte, pesquisas e consultoria operacional, etc. Máquinas conversam comigo o dia inteiro e tentam me convencer para empréstimos, doações as mais diversas espécies filantrópicas, créditos bancários, abordagens de presídios e o escambau. Digo um milhão de vezes que não quero nada, mas no outro dia, no mesmo horário o telefone toca e o papo é o mesmo. Isso sem falar que existem dezenas de vezes que o telefone toca e não tem ninguém do outro lado da linha. São as secretárias eletrônicas fazendo ligações. É o sistema que não funciona direito? São pessoas que brincam de ligar? Pelo menos aqui em casa é uma centenas de ligações não completadas. Parece que é inútil reclamar, a telefonia fixa virou terreno sem administração. Uma verdadeira casa de mãe Joana. De cada 100 ligações ocorre uma do meu interesse, o resto é abordagens inconvenientes. As companhias deviam moralizar o sistema antes que, cansados da palhaçada atual, percamos o amor ao passado e venhamos a cancelar o serviço. Afinal de contas o mundo já reciclou para o telefone sem fio, com som, imagem e telefone com palavra escrita e nada mais adianta nosso jurássico desejo de salvar o que resta do telefone fixo.

sábado, 8 de maio de 2021

A MÃE DO NOSSO CORAÇÃO NAS CANÇÕES BRASILEIRAS

OPINIÃO DE HÉLIO PORTO
A comemoração mais emotiva promovida pelo ser humano certamente e essa do segundo domingo do mês de maio. “Dia das mães”, aguçando a sensibilidade e o carinho com a figura mais importante do lar. Nada mais sugestivo que nessa data ao invés de um texto literário cheio de valores de retórica, tenhamos como mote, o que dizem as tradicionais canções populares que infestam o radio nesse período. Da voz da Sapoti, Ângela Maria: “Ela é a dona de tudo, Ela é a rainha do lar, Ela vale mais para mim, Que o céu, que a terra, que o mar, Ela é a palavra mais linda, Que um dia o poeta escreveu, Ela é o tesouro que o pobre, Das mãos do Senhor recebeu, Mamãe, mamãe, mamãe, Tu és a razão dos meus dias, Tu és feita de amor de esperança, Ai, ai, ai mamãe, eu cresci, o caminho perdi volto a ti e me sinto criança. Mamãe, mamãe, mamãe, Eu te lembro chinelo na mão, O avental todo sujo de ovo, Se eu pudesse, Eu queria outra vez mamãe, Começar tudo, tudo de novo, Ou a voz cabocla da dupla coração do Brasil. Tonico & Tinoco:: “O nome que eu trago guardado, Na palma da minha mão É o nome de mãe gravado, No fundo do coração. Mamãe, mamãe, mamãe como eu gosto de você, Minha mãe como faz falta tua vida em meu viver, Eu quero beijar tua mão, A bênção oh mãe querida, Pedindo a Deus proteção, E muitos anos de vida. Ou a potencia romântica da voz de Agnaldo Timóteo: “O véu da noite vai chegar, E docemente vai nublar, Os olhos meigos de mamãe. Que vendo a vida se apagar, Que tendo amor a transbordar, Repete ainda uma oração, Tremendo os lábios de emoção, Ao ver que estou a soluçar e uma lágrima rolar, Me pede cheia de ternura, Que lhe dedique uma canção, Aí mamãe. Vejo em teu rosto angelical, Que Deus a chama para si, Me castigando aí mamãe. Santa Maria envolverá, Com sua luz celestial, E a voz de um anjo cantará, A suave Ave-Maria, Ave-Maria, Há tanto amor, Tanta bondade, Em… Ou, “Mamãe estou tão feliz, Por que voltei pra você, Alguma coisa me diz, Que hoje eu volto a viver, Penso feliz ao seu lado, Viver distante por quê, Mamãe, só pra você eu cantarei agora, Mamãe, a solidão foi para sempre embora, Essas palavras de amor, Que digo nesta canção, Creia, mãezinha querida, Nascem no meu coração. Mamãe, a chama viva que me aquece é você, Toda minha vida, Eu só desejo ao seu lado viver, Sinto tremer sua mão, E a voz cansada falhar, Ao me fazer um carinho, mamãe, Numa canção de ninar, Sua cabeça esta branca, Mais há luz em seu olhar, Mamãe, só pra você eu cantarei agora, Mamãe, a solidão foi para sempre embora. Essas palavras de amor, Que digo nesta canção, Creia mãezinha querida, Nascem no meu coração, Mamãe, a chama viva que me aquece é você, Toda minha vida Eu só desejo ao seu lado viver . E ainda a clássica melodia de Francisco Petrônio, embalando um baile da saudade: “ Mãe, É uma só, que a gente tem no mundo, Mãe, É o amor mais puro, E mais profundo, Oh minha santa mãezinha, Que tantas vezes eu fiz chorar, Aqui vim para dizer-te, Que sempre, sempre ei de te amar, Mãe, Pensar que um dia poderás faltar-me, Mãe, Pensando nisso vivo a lamentar-me, Por isso nas minhas preces, Tenho pedido ao Criador, Que nunca, nunca me falte, O teu carinho o teu amor. Mãe, o amor mais puro, é o amor do teu coração, É puro como a água cristalina da fonte, É como o cantar dos pássaros ao amanhecer de um novo dia, É como um botão de rosa que desabrocha na primavera, E nem todo o amor deste mundo, se o mesmo pudesse eu dar-te, Jamais poderia pagar-te, tanto carinho, tanta dedicação. Duvido que em algum ponto dessa matéria teus olhos não pingaram lagrimas de saudade por uma mãe presente ou ausente.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

BANDEIRANTES OU TROPEIROS, QUAL OS LEGÍTIMOS HERÓIS DO BRASIL?

A OPINIÃO DE HÉLIO PORTO
Bandeirantes e Tropeiros inicialmente parecem semelhantes, no entanto possuem um enérgica diferença. Aprendemos nos bancos escolares que os Bandeirantes foram encarados heróis que desbravaram o país abrindo novas fronteiras. Hoje com a evolução dos meios de pesquisas e respaldado em fontes livres, fora do enfoque manipulador do governo se tem que os Bandeirantes foram bandidos cruéis e sanguinários que saqueavam aldeias indígenas, matando crianças, violentando mulheres e escravizando os índios. Os Bandeirantes tornaram-se as figuras mais polêmicas da história do Brasil. A imagem construída do desbravador com botas de montar, vestidos com calções de veludo e casacas de couro almofadado é pura ilusão. A pesquisa histórica revela uma realidade bastante diferente: a maioria dos bandeirantes andava descalça e com roupas muito simples, formando batalhões de aventureiros sagazes em capturar índios para vender como escravos e tresloucados na busca de ouro e pedras preciosas. São Paulo de um povoadinho diminuto de pouco mais de mil habitantes, foi tomado pelos ricos produtores de café três séculos depois com a fama de "terra do trabalho e terra dos bandeirantes” e atribuiu-se a aristocracia do café serem os reais descendentes dos "heróicos bandeirantes", homens valentes que não tinham medo de desafios, trabalhadores dedicados e incansáveis. Isto gerou o escabroso preconceito nacional com resíduos presentes até os dias atuais de que o paulista leva o trabalho a sério enquanto os brasileiros de outros lugares são "preguiçosos”.
Já do outro lado, os Tropeiros eram envolvidos na criação de animais e dedicados ao comércio, abrindo estradas, caminhos, plantando núcleos produtivos sem molestar ninguém, O tropeirismo surge como atividade comercial interligando o produtor ao centro consumidor. As mercadorias e alimentos produzidos nas terras distantes eram conduzidas no lombo de mulas e cavalos que cortavam trilhas integrando diferentes pontos na geografia nacional. Quando não dispunham de trilhas indígenas, os tropeiros abriam com facão a mata virgem para a criação de novas rotas. Por essa razão, nos séculos XVI a XVIII, o tropeirismo representou grande importância na economia e na emancipação da vida rural no sul do País. As viagens em caravanas ao lombo de mulas com suas necessárias pousadas para descanso dos homens e animais, foram criando povoamentos importantes que hoje são progressivas cidades brasileiras, a exemplo de Itararé e Itapetininga, nessa região. Ao cabo desses relatos eu pergunto: BANDEIRANTES OU TROPEIROS, QUAL OS LEGÍTIMOS HERÓIS DO BRASIL ??

quarta-feira, 28 de abril de 2021

SUL PAULISTA EM LUTA PELA VALORIZAÇÃO DO TROPEIRO

A OPINIÃO DE HÉLIO PORTO
Quando não existiam os trens, nem os caminhões e nem mesmo as estradas, o transporte era essencialmente feito nos lombos das mulas em organizadas tropeiradas sangrando trilhas estreitas e cheias de obstáculos. A figura forte do tropeiro que encarava sol e chuva em meses de viagens de um destino a outro foi plantando a estrutura de nossa civilização brasileira nos moldes atuais. Do Rio Grande do Sul por Santa Catarina, Paraná e São Paulo vinham os tropeiros de Viamão a Sorocaba, plantando progresso e germinando cidades. Cristóvão Pereira de Abreu foi um militar cuja morte é dado como em 22 de novembro de 1755, na Vila do Rio Grande de São Pedro, hoje cidade do Rio Grande. Encontra-se sepultado na capela de Nossa Senhora da Lapa. O coronel Cristóvão Pereira de Abreu foi o protótipo do explorador, sertanista e combatente, ao lutar contra os franceses no Rio de Janeiro e, depois, contra as tropas espanholas nos pampas gaúchos. Foi consagrado como o primeiro homem a cruzar, por via planaltina, o território entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, levando uma tropa de 3000 cabeças de cavalgaduras e gado, inaugurando o ciclo comercial da região sulina. É considerado o 1° Tropeiro pelo fato de ter registros de suas tropeadas desde 1680, Mais de 200 cidades nasceram direto pela influência tropeira, o que justifica uma valorização maior a esse movimento.
No entanto o Brasil quanto nação, não demonstra o respeito devido. Não existe um dia especial e nacional para o tropeiro. No Rio Grande do Sul o estado comemora no dia 25 de abril, no Paraná no dia 26 de abril e em Sorocaba festeja-se a semana tropeira no final de maio. Não se pode continuar olvidando este movimento tão expressivo e importante para nossa história nacional. Itararé é um exemplo típico da distorção da história, revelado como um povoado surgido em torno de uma capelinha na Fazenda São Pedro as margens do Rio Itararé nos anos de 1880, quando na verdade o povoado já era citado nas trilha tropeiras desde o século XVI. Portanto surgida pelo tropeirismo. No livro “A Flor do Peabiru” da autoria de Hélio Porto na página 29, destaca esse relato, explicando a necessidade dos pousos das tropas, observem:- ITARARÉ - 0 PESADELO DOS VELHOS TROPEIR0S Nestes pousos foram sendo criados, postos de serviços com profissionais habilitados. Os “rancheiros”, os proprietários de “rancho” ou alojamento onde pernoitavam as tropas cobravam dos tropeiros apenas o milho e o pasto consumidos pelos animais porque as tropas conduziam suas cozinhas próprias. Surgem paralelas a tudo isto, as profissões de ferrador que fixava as ferraduras nos animais das tropas, o veterinário prático, o domador de animais chucros e assim iam se reunindo gerando povoados que se fizeram cidades. No caminho de Viamão a Sorocaba, Itararé tornou-se senão na maior, pelo menos na mais longa parada. Os velhos tropeiros vinham de Viamão, preocupados com a difícil travessia do Rio Itararé por entre suas grutas e rochedos que causavam grandes perdas animais, sendo sacrificados e trans-formados em carne de sol, para evitar a perda total. Este período de recuperação, formou em Itararé um entre centro que até permitia aos tropeiros adquirirem animais criados pelos povoados próximos para completarem as encomendas que tinham que serem levadas até a Feira de Sorocaba. - - - - - - - - - - - A presente gravura de Jean Baptiste Debret bem retrata a luta dos tropeiros para adentrar o Estado de São Paulo nas grutas do Rio Itararé improvisando pranchas sobre os abismos, a menos de um quilômetro da vila de Itararé e aqui permaneciam por média de uma semana se recuperando para continuar a viagem sendo a maior parada no roteiro. Por tudo isso urge que as cidades desse eixo lutem pela criação do Dia Nacional do Tropeiro.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

TIRADENTES UMA CRENÇA OU REALIDADE????

Inúmeros artigos reiteram que é falso o mito Tiradentes que nunca foi enforcado e esquartejado. A História “oficial” começa com a construção e consolidação, em 1890, de Joaquim José da Silva Xavier, vulgo Tiradentes, como mártir da Independência, quando o correto seria mártir da República Mineira Maçônica. Nem isso, porque como não morreu na forca, mas de velhice no Rio de Janeiro, nada deu de si em sacrifício, a não ser desfrutar a vida nababesca das cortes francesas e europeias pós-revolução. Reza a lenda que depois de enforcado, foi esquartejado, seus membros espalhados pelo Rio de Janeiro, onde se deu o “sacrifício”, e a cabeça foi salgada e levada para Vila Rica, atualmente Ouro Preto. Foi colocada em um tipo de gaiola em um mastro alto onde ninguém podia vê-la, e mesmo assim roubada no dia seguinte. Suas terras foram salgadas e seus parentes malditos até a quinta geração e blá, blá. blá… Essa papagaiada toda que engolimos a seco nunca foi admitida pela imprensa da época, pelo patrono da imprensa brasileira Hipólito José da Costa, fundador do Correio Brasiliense, o primeiro jornal do Brasil, nem por Machado de Assis, Kenneth Maxwell ou Marim Francisco de Andrada. Eram contemporâneos e tiveram acesso a testemunhos e documentos que, se não sumiram, estão bem ocultos nas bibliotecas em que só os bravos ousam adentrar. Tiradentes era um alferes, um militar, ocupava um posto semelhante hoje a um tenente. Estamos no século 18, não nos dias de hoje, quando protocolos e regras são quebrados sob qualquer pretexto, mas em uma época em que era impensável enforcar um membro das forças armadas, por pior que fosse seu crime. Só se enforcavam ladrões, assassinos e mesmo assim sem patente, sem recursos e sem família. Tiradentes era militar e o protocolo exigia que fosse fuzilado. Tiradentes era maçom, assim como toda a conspiração, chamada Inconfidência, para separar Minas Gerais de Portugal e do Brasil, inspirada na revolução francesa. Todos foram perdoados pela coroa portuguesa, mesmo porque d. Maria I, a Piedosa, não gostava de guilhotinas, forcas ou fuzilamentos, visto que muitas de suas tias e primas foram vítimas da revolução francesa. O perdão de Tiradentes saiu no dia seguinte à farsa do enforcamento, por coincidência, e foi lido publicamente. O estudo mais acurado do caso, aliás, deve passar pela pesquisa sobre a influência da Maçonaria no Brasil, sobretudo em Minas Gerais até o Rio de Janeiro no século 18 e 19. Recomendo a leitura de “Tiradentes, o poder oculto o livrou da forca”, de Assis Brasil. Mas esse é um tema transversal que mereceria muito mais espaço e tempo. Tiradentes foi julgado e permaneceu na prisão até o dia que recebeu a notícia de seu perdão, entretanto, foi montada uma farsa, um auto que teve como coadjuvante o ladrão Isidro de Gouveia, que já iria morrer na forca, mas tomou seu lugar com a promessa de que sua família receberia uma pensão. As testemunhas ouvidas à época não reconheceram a figura de Tiradentes como o condenado que subia o patíbulo, tanto pela idade que aparentava como pela altura. Nem mesmo sua amante, que deveria ser a que mais intimidade tinha com ele, chegou a reconhecê-lo, embora estivesse sempre próxima. Esses relatos constam das reportagens de Hipólito da Costa e de Martim Francisco de Andrada: ‘ “Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação por pena de morte. Em 21 de abril de 1792, com ajuda de companheiros da Maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela Maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos.. No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa (“Narrativa da Perseguição”) é documentada a diferença física de Tiradentes com o que foi executado em 21 de abril de 1792. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro “Contribuindo”, de 1921: “Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito…”. O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada, uma vez que sumiram com ela para não ser descoberta a farsa. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio ou absolvidos. Machado de Assis, sempre atento aos desmandos da República da época, também desmente a versão do enforcamento: “Daqui a espião de polícia é um passo. Com outro passo chega-se à prova de que ele nem mesmo morreu; o vice-rei mandou enforcar um furriel muito parecido com o alferes, e Tiradentes viveu até 1818 de uma pensão que lhe dava D. João VI. Morreu de um antraz, na antiga rua dos Latoeiros, entre as do Ouvidor e do Rosário, em uma loja de barbeiro, dentista e sangrador, que abriu em 1810, a conselho do próprio D. João, ainda príncipe regente…” É também justo dar o devido crédito ao prof. Marcos Corrêa, que dedicou sua vida a desfazer a mentira do enforcamento de Tiradentes, lutando contra a ignorância acadêmica e a desinformação nos anos 80 e 90, quando não tínhamos internet, sistemas online ou mobilidade para pesquisar. Especializado em grafologia, identificou a assinatura de Tiradentes em documentos oficiais na França em 1792, e mesmo com provas científicas foi ridicularizado por supostos intelectuais que tinham na bagagem um mero canudo da USP e meia dúzia de livros patrocinados pelos governos da época, que tinham todo o interesse em contar a história da carochinha para os brasileiros. Em Portugal, há muito se sabe da lenda de Tiradentes e somos motivo de riso, quando não de escárnio. O desembargador Simão Sardinha, que o conheceu no Brasil, chegou a se encontrar com ele em Lisboa, que fugiu para não ser reconhecido. Este seu depoimento está em carta pesquisada pelo prof. Corrêa, nos arquivos da Torre do Tombo. Muitas das fontes e documentos estão abaixo e podem ser consultadas. Segundo o estudo, Joaquim José assumiu o nome de Antônio Xavier, voltou ao Rio de Janeiro, abriu uma botica na rua dos Latoeiros e morreu de morte natural. Fim. E aí, qual será a verdadeira história desse episodio?